Segunda fase – novembro/dezembro

cidadeproibida (44 de 58)AS SAUDADES PROIBIDAS

Por um determinado espaço de tempo, resumimos a cidade para poder vivê-la cênicamente, tentar compreendê-la e comunicar.

Nossa cidade torna-se então uma passarela, alguns metros quadrados de chão,uma pequena ilha,uns 20 indivíduos inclusos e uma variável periferia (público).
Engarrafamo-nos com prazer num processo enriquecedor, com a leveza que a cidade de verdade muitas vezes nos rouba.

Botamo-nos á correr feito loucos, a pular, escorregar, atropelar, desviar, desacelerar bruscamente, parar.

Foi difícil encontrar os olhos, pois estes poderiam nos fazer perder o tempo , o ritmo da trajetória que havíamos nos proposto á cumprir dentro de nossa cidade imaginária…

Só que também sem olho não dava, sem olho a gente sabe que não tem, que não é teatro e que não há vida. Então, entre uma correria e uma pausa, num milésimo de segundo que havia entre uma ação e um trajeto, nos catávamos pelo olhar e nos catávamos pro resto todo.

É fato, que estes olhares, quando trocados, nos faziam seguir mais fortes, mais tranquilos de não estarmos a mentir, nem a simplesmente repetir ações.
E a cidade é isto ou tem sido, encontrar os tempos do natural,tempos que nossa biologia propõe dentro de uma estrutura mecânica pré determinada.

Achar um buraquinho onde plantar alguma emoção, contemplar quando dá, e seguir em frente…Dobrar a esquina e seguir em frente…Fugir da polícia, do ladrão ou de algum sentimento e seguir em frente.Parar para chorar e seguir em frente…Sinal verde, amarelo,vermelho,tamo sem sinal mano, seguir em frente! Rir…Seguir em frente. Não olhe pre trás…ENFRENTE!

Roberta Alfaya, performer e acrobata 

Cidade Proibida: uma provocação á quem vê o que acontece e ignora. Uma convocação aos que temem sair á noite. Uma invocação de um desejo coletivo.

cidadeproibida (35 de 58)A experiência do projeto Cidade Proibida plantou uma vontade de realizar essa intervenção em outros locais “proibidos” de Porto Alegre. Também o desejo de voltar aos parques e praças a noite, independente de alguma programação. Conviver mais, compartilhar mais, discutir mais sobre o que é a cidade e como ela deveria ser. São recorrentes os pedidos de não-violência, mais tolerância, mais segurança, mais amor. Cidade Proibida um convite a refletir sobre a cidade e o que ela é: coisas boas, ruins, pessoas, músicas, comidas, bebidas…um encontro com a Cidade!
Di Nardi, ator e performer 
Me aquecer  para o início do espetáculo olhando para as estrelas, ter a imensidão do céu como urdimento, perceber cidadeproibida (33 de 58)uma vibração de liberdade pela falta de paredes. A energia que emanou das ruas contagiou meu corpo, o corpo da equipe, o da plateia. São esses os fragmentos afetivos que me habitam ainda agora. Existe uma intensidade do fazer teatral na rua que me remete ao nascimento do teatro, sem exageros. Esperar o público na praça, conhecer e sentir-se parte do bairro, comer e beber junto com a comunidade, tudo isso parece que amplificou o meu sentido de real. Ter como cenografia a chaminé do gasômetro, as linhas de força do aeromóvel, o espelho aquoso da redenção, é ter um cenário vivo e concreto. Essa é a cidade que eu queria, mais leve, mais coletiva e dançante, ressignificada pelos encontros, e sem lugares proibidos. Vida longa a Cidade (des)Proibida, experiência sem precedentes para mim. Agradecido aos colegas e público pelo mergulho. Lisandro Bellotto, ator. 
cidadeproibida (38 de 58)Dias de amor, liberdade e comunidade.
Como foi bom receber amigos, família e tantos desconhecidos nesses dias de dar voz à cidade. Vizinhos de bairros próximos e cachorros desavisados  que por ali passavam, aproveitaram para curtir uma noite livre na Cidade Proibida.

Cantou-se, correu-se, dançou-se. Deu-se carne às histórias, aos personagens e às mandingas da cidade. Os corpos transpiravam sensualidade. Era tudo que é gente, tudo cidade.

Eu admirava o balanço das saias, a fumaça de charuto e os cabelos ao vento.
Eu quero Porto Alegre! Minha cidade! Minha! Ela também é feita por mim. E por todos. A cidade é feita de pessoas. Ela me faz ficar.
Agora os beijos, abraços e carinhos ficam registrados em cada um e na memória da cidade. Querendo voltar.
A comemoração era de todos.
A festa era sobre sentimento, alegria e prazer! Gabriela Chultz, performer e bailarina. 
Cidade Proibida é um grito de desespero de socorro e alerta.cidadeproibida (42 de 58)

Não é a toa que as pessoas não saem de casa…

Não e a toa que se vê poucos trabalhos na rua, em especial durante a noite…

Muitos são aqueles que desistem de sair de casa pela falta de segurança.

Muitos são aqueles que esbarram na burocracia que parece ser feita para evitar que se faça qualquer trabalho digno na rua, praças… Em nossos espaços de convívio.

Cidade Proibida mostra o quanto temos que brigar por aquilo que acreditamos.

Cidade Proibida mostra o quanto a vida/arte é difícil nas ruas.

Cidade Proibida mostra que, sim! As pessoas querem ir para as ruas e praças durante a noite para conviver..

Tomara que Cidade Proibida continue ecoando, gritando e chamando muita gente pra rua. Rodrigo Shalako, ator, cenógrafo, produtor.

cidadeproibida (20 de 39)Diálogo com a cidade a céu aberto. A cidade é, a cidade não é… muitas possibilidades, muitas realidades, muitas coisas. Nessa cidade, eu cresci, eu beijei pela primeira vez, eu amei, eu perdi, eu sonhei, eu me dei mal, eu me dei bem. Nessa cidade eu cruzei ruas, eu dei voltas no mesmo lugar, eu atravessei paredes, eu me bati contra a parede, eu voei, eu imaginei, eu vivi muito. Nessa cidade eu perdi meu pai e minha mãe no trânsito! Nessa cidade meu filho nasceu para me trazer a maior felicidade do mundo, eu agradeço.

Rio Guaíba, Usina Gasômetro, Parque da Redenção, cada cidade tem seus lugares especiais, seus espaços únicos. A cidade é uma ameba de metal, é um grande caos paisagístico, é uma ordem e desordem de tudo, tudo junto misturado, flores e asfalto, um pouquinho de cada. A cidade é a presença e ausência da memória dos mortos. A cidade é aquela da memória da minha infância; ou o meu desejo de que ela venha a ter um futuro melhor. A cidade é meu tropeço no presente.

Cidade Proibida é poder ir ao parque e olhar o céu às 22 horas, ver um pouco de teatro, de dança, de improvisação e de circo. Beber um pouco, experimentar algumas frutas, relaxar. Ver as crianças correrem e brincarem de bambolê. Ver as bicicletas estacionadas nas árvores. Ver os loucos, os marginais, os bêbados, integrados, outras vezes, mais distantes, ao longe. Todos fazem parte da cidade, o marginal, é o filho que a cidade esconde. Cidade proibida : todos estão lá, atentos, ouvindo, vendo e percebendo.
Todos tem algo para trocar, a cidade está viva. Suzi Weber, bailarina e professora do Departamento de Arte Dramática da UFRGS 

Acredito que Cidade Proibida foi um trabalho necessário para Porto Alegre neste momento. A cidade convulsiona

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 politicamente. As pessoas se reconhecem nos gritos da cena, nas correrias, na garra, no suor, na musica. Condensar os medos e desejos de uma cidade em poesia no espaço, poesia no tempo. Saber reconhecer a diferença. Diferença na arte, na pele, na língua. Conversar olhando no olho, compartir o alimento. Tive a nítida sensação de que as pessoas se sentiram acolhidas pela nossa Cidade Proibida, Rossendo Rodrigues, ator.

Cidade Proibida ocupou a praça e a noite. O público desejoso de  rua, noites de verão,  praça a céu aberto!

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A Praça Júlio Mesquita foi devastada no início de 2013 pelo corte de mais de 20 árvores, ao todo serão 83 na Av Beira Rio, para facilitar o tráfego entre as Arenas, estádios de futebol destinados a abrigar 3 ou 4 jogos da Copa do Mundo FIFA 2014. O Brasil prepara sua ilusão de que é um país com excelentes estádios, rodovias, hotéis, restaurantes..sei lá o que padrão FIFA, escondendo a si mesmo. O Brasil devia se mostrar, se exibir durante a Copa do Mundo, exibir seus traços marcantes, seus humores, seus suores, suas misérias, sua falta de tanto, especialmente de condições democráticas e livre acesso à informação e a educação! . Li recentemente na revista Bastião, revista semestral editada em Porto Alegre, com textos excelentes, que os trabalhadores das obras da Copa cumprem um regime escravo de 15 horas de trabalho por dia!!! São nordestinos, caboclos, tipos vindos do norte/nordeste do país para um clima absolutamente hostil, alojados em quartos para 10 pessoas. Conto tudo isso porque é no revés dos processos desumanos que nosso trabalho passa a existir, no seio da correria que condiciona nosso dia a dia, uma parada, parada proibida, para ver e ouvir a cidade proibida!  Marina Mendo, atriz.

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